Cerejas

Silêncio

A Câmara Municipal está tratando de abolir os barulhos harmoniosos da cidade: os auto-falantes e as vitrolas. [...]
Gosto daqueles móveis melódicos e daquelas cornetas altíssonas. Fazem bem aos nervos. A gente anda, pelo centro, com os ouvidos cheios de algarismos, de cotações da bolsa de café, de câmbio, de duplicatas, de concordatas, de "cantatas", de negociatas e outras cousas chatas. De repente, passa pela porta aberta de uma dessas lojas sonoras e recebe em cheio, em plena trompa de Eustáquio, uma lufada sinfônica, repousante de sonho [...] E a gente pára um pouco nesse halo de encantado devaneio, nesse nimbo embalador de música, até que a altíssima farda azul marinho venha grasnar aquele horroroso "Faz favorrr, senhorrr!", que vem fazer a gente circular, que vem repor a gente na odiosa, geométrica, invariável realidade do Triângulo - isto é, da vida."
Urbano (Guilherme de Almeida), 1927.

24 de dezembro de 2011

...bem mais que um simples menino

Para além de todos os credos, penso no Natal como a celebração do nascimento, celebração da gana humana de vir ao mundo e fazer parte dessa história, acender uma luz, criar algo. Em nome disso, desejo a todos amigos amigas (e nenéns recém-chegados tão lindos) um belo natal, na companhia das pessoas queridas e da boa música.

Um comentário:

  1. Ainda há ESPERANÇA, uma vez que existem jovens como vocês curtindo jovens de ontem como nós.
    -- Rosa --

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