Cerejas

Silêncio

A Câmara Municipal está tratando de abolir os barulhos harmoniosos da cidade: os auto-falantes e as vitrolas. [...]
Gosto daqueles móveis melódicos e daquelas cornetas altíssonas. Fazem bem aos nervos. A gente anda, pelo centro, com os ouvidos cheios de algarismos, de cotações da bolsa de café, de câmbio, de duplicatas, de concordatas, de "cantatas", de negociatas e outras cousas chatas. De repente, passa pela porta aberta de uma dessas lojas sonoras e recebe em cheio, em plena trompa de Eustáquio, uma lufada sinfônica, repousante de sonho [...] E a gente pára um pouco nesse halo de encantado devaneio, nesse nimbo embalador de música, até que a altíssima farda azul marinho venha grasnar aquele horroroso "Faz favorrr, senhorrr!", que vem fazer a gente circular, que vem repor a gente na odiosa, geométrica, invariável realidade do Triângulo - isto é, da vida."
Urbano (Guilherme de Almeida), 1927.

8 de novembro de 2011

Alta Fidelidade em Música Popular e Colecionismo

Antecipando a tarefa de assistir o filme e fazer a resenha para a disciplina Música Popular e Colecionismo, e aproveitando o sucesso (pelo menos para o próprio criador do blog, hahaha) da seção 1a. c/ a 7a., um trecho do romance “Alta Fidelidade” (1995), de Nick Hornby (levado ao cinema em filme homônimo de 2000 dirigido por Stephen Frears e protagonizado por John Cusack), em que seu personagem-narrador Rob Fleming, dono de uma loja de discos, faz diversas listas — ligadas à música, em geral — representando um perfil de consumidor da cultura pop:
“Em ordem cronológica, minhas separações mais memoráveis, as favoritas, as cinco que eu levaria para uma ilha deserta: 1) Alison Ashworth; 2) Penny Hardwick; 3) Jackie Allen; 4) Charlie Nicholson; 5) Sarah Kendrew. Essas foram as que doeram de verdade. Está vendo o seu nome nessa lista, Laura? Acho até que você conseguiria entrar sorrateiramente, nas dez mais, mas não há lugar para você nas cinco; esses lugares estão reservados para aquele tipo de humilhação e sofrimento que você simplesmente não é capaz de provocar.”

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