Cerejas

Silêncio

A Câmara Municipal está tratando de abolir os barulhos harmoniosos da cidade: os auto-falantes e as vitrolas. [...]
Gosto daqueles móveis melódicos e daquelas cornetas altíssonas. Fazem bem aos nervos. A gente anda, pelo centro, com os ouvidos cheios de algarismos, de cotações da bolsa de café, de câmbio, de duplicatas, de concordatas, de "cantatas", de negociatas e outras cousas chatas. De repente, passa pela porta aberta de uma dessas lojas sonoras e recebe em cheio, em plena trompa de Eustáquio, uma lufada sinfônica, repousante de sonho [...] E a gente pára um pouco nesse halo de encantado devaneio, nesse nimbo embalador de música, até que a altíssima farda azul marinho venha grasnar aquele horroroso "Faz favorrr, senhorrr!", que vem fazer a gente circular, que vem repor a gente na odiosa, geométrica, invariável realidade do Triângulo - isto é, da vida."
Urbano (Guilherme de Almeida), 1927.

19 de agosto de 2011

Ambiente de estúdio



Essa música do Edu é super 'modal', num terreno que não é tão distante do rock, uma presença de um ostinato grave, o ritmo corrido, esses acordes menores com nona e décima primeira. Agora, a curtição do vídeo é a discussão sobre fazer ao vivo ou dublado ! Muito bom o Tom meio bêbado e teimoso... depois dá uma cantada .... aliás, duas ! (palhinha do meu parceiro Pablo Castro)
Observar o ambiente do estúdio, a interação, as categorias empregadas pelos músicos e o emprego dos recursos técnicos.

2 comentários:

  1. legal. fiquei querendo v o cara do metal. maravilhoso solo. ver o Tom e Edu juntos, tocando, o tom sempre a vontade- era cerveja aquilo- normalmente é wisk. muito bom.

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  2. Fantástico esse vídeo. Feito numa época em que não existiam ainda videoclipes de música, portanto não existia um metier para produção. A sugestão do Tom bêbado seria a mais certeira e que depois viraria o padrão nesse tipo de video: sempre dublagem da gravação em estúdio. Além da facilidade técnica isso criaria uma maior identidade com a gravação do disco, razão primeira para a criação do clipe para sua divulgaçao. Mesmo em casos onde o clipe era maior do que a gravação do disco, como em muitos videoclipes do Michael Jackson, a prática era grava em estúdio em separado a versão que se usaria no clipe.

    Os argumentos do Tom, que poderiam expressar certa preguiça, estavam certos: a gravação do disco eles apenas cantaram, em pé e o resultado foi muito melhor do que essa versão sentados, tocando piano e vazando no microfone o som percutido das teclas do piano. O temor de artificialidade do Edu era válido, mas depois logo se tornaria como parte desse tipo de divulgação musical.

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