Cerejas

Silêncio

A Câmara Municipal está tratando de abolir os barulhos harmoniosos da cidade: os auto-falantes e as vitrolas. [...]
Gosto daqueles móveis melódicos e daquelas cornetas altíssonas. Fazem bem aos nervos. A gente anda, pelo centro, com os ouvidos cheios de algarismos, de cotações da bolsa de café, de câmbio, de duplicatas, de concordatas, de "cantatas", de negociatas e outras cousas chatas. De repente, passa pela porta aberta de uma dessas lojas sonoras e recebe em cheio, em plena trompa de Eustáquio, uma lufada sinfônica, repousante de sonho [...] E a gente pára um pouco nesse halo de encantado devaneio, nesse nimbo embalador de música, até que a altíssima farda azul marinho venha grasnar aquele horroroso "Faz favorrr, senhorrr!", que vem fazer a gente circular, que vem repor a gente na odiosa, geométrica, invariável realidade do Triângulo - isto é, da vida."
Urbano (Guilherme de Almeida), 1927.

20 de setembro de 2010

A invenção da MPB


Ando muito negligente com esse blog. É difícil arrumar tempo, mas agora fui meio que obrigado pela marcação de um "evento" amanhã. Vamos lá então. Vou juntar uns relampejos que andei tendo, misturar e ver se dá samba: uma sigla + revista realidade + livros de cabeceira + história cultural. A sigla, não poderia ser mais óbvio, é MPB. Tem certas coisas que parecem ter sempre existido. MPB, por exemplo. Mas aí uma pitada de história e... vemos que essa sigla só aparece em meados dos anos 1960, e seus contornos só serão um pouco mais definidos na década seguinte. Lembrando dois livros que eu adoro (falei dos dois em sala de aula semana passada), A invenção das tradições (Eric Hobsbawn e Terence Ranger organizaram) e A moderna tradição brasileira (Renato Ortiz escreveu), posso dizer que MPB é uma moderna tradição inventada. Categoria que foi ganhando sentido entre músicos, críticos e ouvintes, entre polêmicas e panteões, entre passeatas e festivais. Nas bancas de revista, nas paradas de sucesso. Pensei nessa paráfrase ..."ainda não havia para mim MPB4...". Aliás, até 66, a palavra-chave da música popular brasileira ainda era "samba". Será que deu MPB?

10 comentários:

  1. Que triste! Gosto tanto de MPB, mas só consigo identificar 5 pessoas na capa da revista: Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso, Paulinho da Viola e Jair Rodrigues. Engraçado que pedi até ajuda à minha mãe (é da época dela), mas ela não consegue lembrar, ela gostava mesmo é da Jovem Guarda (também pode ser considerada MPB?). No mais, adorei a idéia do blog, quero ver o dia que teremos uma "aula" sobre história cultural musical... (é uma cobrança... rs...) Abraço, Fran

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  2. Antes de participar desse seu "negócio interativo" (rsrsr) deixa eu te dizer que cada dia eu me surprendo mais com você viu Luiz muito legal esse jeito de misturar música e história .... mas deixando de lado a rasgação de seda.. vamos lá:

    1) A definição de MPB como você mesmo disse é uma questão complicada, então ao invés de deixar uma definição vou fazer uma listinha:
    Cartola, Chico Buarque, Caetano Veloso...Cazuza (em algumas perólas como "faz parte do meu show"), e alguns da nova geração.... como Seu Jorge (Samba-Rock tbm vale certo?), Leoni (nem tão nova geração assim) e finalizo com a Maria Gadú (que tem um jeito muito louco de misturar um som massa e fazer um "negócio" que eu não sei bem se é MPB, mas é muito bom)

    2)Essa segunda já tá mais complicado....mas pode deixar que nas horas vagas entre a faculdade o trabalho e a iniciação científica eu vou providenciar uma pesquisa pra falar sobre essa capa... FÁCIL NÃO É NÃO ...
    Abraço!!

    Arthur

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  3. Na capa da Realidade: Chico, Gil, Edu, Paulinho,
    Caetano, Nara, Jair Rodrigues, Zimbo Trio.

    MPB é a música (para mim não é estilo musical), que nós da classe média, ouvimos. Provavelmente nas listas da MPB, Chico ou Caetano sempre estarão. Mas, e o popular? Funk é popular?

    Mariana Pina

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  4. acho que o Toquinho também está...

    Mariana Pina

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  5. Nara Leão, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Toquinho, Magro do
    MPB4, Rubinhoo Zimbo Trio e Jair Rodrigues.

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  6. Opa, temos um ganhador...anônimo
    Por favor, identifique-se para ganhar o prêmio inventado.

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  7. Olá Mariana, bem vinda.
    Funk com certeza é popular. A música popular é "impura", híbrida desde seu surgimento. Por isso uma definição "sociológica" também pode não ser a melhor. Que acontece quando a bossa nova vira trilha de novela? Quando uma cantora de axé grava Tom Jobim? E quando a Sandy diz que não imagina a Gal Costa cantando rock?

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  8. falar de MPB é um negócio complicado,depende de cada um ,uns cantores se julgam ser da MPB e outros não,cabe a nós fazermos uma seleção dentre tantos.
    SAO ESSES:Nara Leão, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Toquinho, Magro do
    MPB4, Rubinhoo Zimbo Trio Jair Rodrigues.
    ALGUNS ARTISTAS QUE CONSIDERO SEREM DA MPB:
    Tom Jobim
    João Gilberto
    Chico Buarque
    Caetano Veloso
    Jorge Ben Jor
    Roberto Carlos
    Noel Rosa
    Cartola
    Tim Maia
    Gilberto Gil
    Dorival Caymmi
    Pixinguinha

    Luiz Gonzaga
    Elis Regina
    Rita Lee
    Chico Science
    Paulinho da Viola
    Vinicius de Moraes
    Raul Seixas
    Milton Nascimento.

    abraço

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  9. Roberto carlos é a anti-MPB em pessoa.

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  10. MPB é uma grife que sinaliza música de "bom gosto".No início tinha dois Ms (Moderna música popular brasileira.).Segundo Gilberto gil em 82 o rock deu uma Blitz na chamada MPB e acabou com a sigla (Pelo menos no sentido original).Dentro dessa nova abordagem Raul seixas e Rita lee (antes dissisentes) viraram MPB.Roberto carlos continua fora,ou então entra todo mundo:Odair josé,Diana,Paulo sérgio e infinitos etcs.

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