Cerejas

Silêncio

A Câmara Municipal está tratando de abolir os barulhos harmoniosos da cidade: os auto-falantes e as vitrolas. [...]
Gosto daqueles móveis melódicos e daquelas cornetas altíssonas. Fazem bem aos nervos. A gente anda, pelo centro, com os ouvidos cheios de algarismos, de cotações da bolsa de café, de câmbio, de duplicatas, de concordatas, de "cantatas", de negociatas e outras cousas chatas. De repente, passa pela porta aberta de uma dessas lojas sonoras e recebe em cheio, em plena trompa de Eustáquio, uma lufada sinfônica, repousante de sonho [...] E a gente pára um pouco nesse halo de encantado devaneio, nesse nimbo embalador de música, até que a altíssima farda azul marinho venha grasnar aquele horroroso "Faz favorrr, senhorrr!", que vem fazer a gente circular, que vem repor a gente na odiosa, geométrica, invariável realidade do Triângulo - isto é, da vida."
Urbano (Guilherme de Almeida), 1927.

25 de abril de 2010

Aula de Música: Chuck Berry fields forever

Como ando dando aulas de História da África, ando retomando alguns assuntos que pesquisei há alguns anos quando iniciava o doutorado, envolvendo música popular e trânsitos culturais entre África e América. Tava com vontade de criar uma seção comentada a partir de uma única música, daí pensei: tem canções que valem por uma aula! Taí, Chuck Berry fields forever, do Gil. Verdadeira travessia pela história transatlântica da música popular, dos seus gêneros e protagonistas. Para dar "ressonância visual", a obra Negro Trovador, de Debret.
http://www.youtube.com/watch?v=_6k8VFnWxGs&feature=player_embedded

Um comentário:

  1. Maria Angélica Zubaran1 de julho de 2012 10:44

    Olá Luiz Henrique,
    Muito legal o teu blog. Achei interessante a proposta de música para reflexões sobre a História da África e a aquarela do Debret. Sabes que o berimbau era chamado por Debret nas suas aqurelas como Oricongo?

    Abraços,
    Angélica

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